Fico impressionado em ver tanta perseguição que a
Igreja de Cristo tem passado durante a sua história.
Desde o estabelecimento da Igreja Primitiva até hoje,
cristãos têm sido apedrejados, enforcados, queimados e
mortos de maneira brutal por amor ao Evangelho. Esse
tipo de perseguição deixou marcas profundas na vida dos
seguidores de Cristo.
Hoje em dia, exceto nos locais onde ainda impera a
falta de liberdade religiosa, a maior perseguição está
voltada para o lado intelectual, emocional, moral e
espiritual dos crentes. Esse tipo de perseguição procura
destruir a Igreja na base. É uma perseguição que vem
através da ausência de uma teologia séria, que serve de
fundamento para a Igreja poder ser vitoriosa.
Gleen Wagner, escrevendo dentro do contexto
norte-americano, mostra que “a igreja agora é movida por
uma fenomenologia sociológica e psicológica, em vez de
por imperativos e diretrizes das Escrituras” (Igreja
S/A... São Paulo: Ed Vida, 2003, p. 64). Isso é muito
sério! Quando deixamos de nos guiar pelas Escrituras,
caímos no erro, somos ridicularizados. Por isso, creio
que a Igreja de hoje precisa voltar urgentemente para a
Escritura. É necessária uma nova reforma. Se Lutero
pregou contra a venda das indulgências, nós temos que
pregar contra a venda de “sermões”, “mensagens”,
“orações”, “músicas” e de qualquer outro elemento, para
não enganarmos os que nos procuram. Temos que vencer
esse tipo de perseguição que ocorre dentro da Igreja.
Fico imaginando quando Jesus chegou no meio daqueles que
vendiam pombas e outros objetos dentro do templo. A
reação d`Ele foi direta. A Bíblia diz: “Então Jesus
entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e
compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as
cadeiras dos que vendiam pombas” (Mt 21.12). Se todos
contribuíssem com dízimos e ofertas, não precisaríamos
vender qualquer objeto dentro da casa de Deus. Fazendo
assim, nos defenderíamos contra a influência da
sociedade de consumo sobre nós.
Outra perseguição comum aos nossos dias vem pelo
relativismo moral. Parece que alguns crentes perderam o
referencial moral que a Bíblia apresenta. Adolescentes e
jovens, que têm um namoro voltado para o sensualismo,
não perceberam ainda que esta é uma área onde a
perseguição do inimigo é muito forte. Precisam atentar
para aquilo que a Bíblia diz: “Alegra-te, mancebo, na
tua mocidade, e anima-te o teu coração nos dias da tua
mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela
vista dos teus olhos; sabe, porém, que, por todas estas
coisas, Deus te trará a juízo” (Ecl 11.9). Precisamos
todos seguir a santificação. Sem ela, ninguém verá o
Senhor (ver Heb 12.14). Para que a perseguição do
relativismo moral não nos alcance, temos que abominar
qualquer tipo de imoralidade que possa infiltrar-se no
meio da Igreja. É bom observar que a mídia tem
perseguido todos nós e, de maneira muito direta,
destruído os valores morais que as famílias possuíam. É
hora de lutar contra esse inimigo.
Outro tipo de perseguição que acontece contra a
Igreja de hoje é o relaxamento para com a obra de Deus.
A Bíblia diz: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor
negligentemente, e maldito aquele que vedar do sangue a
sua espada” (Jr 48.10). É triste, quando vemos que há
pessoas que não dão qualquer importância à obra de Deus.
Brincam com valores espirituais, tratam a Igreja como um
clube social, colocam os trabalhos da Igreja em último
lugar. Se há uma reunião paralela ao culto de adoração
ao Senhor, preferem estar naquela e não na Igreja.
Esquecem-se da recomendação da Palavra, que diz: “não
abandonando a nossa congregação, como é costume de
alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto
mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”
(Hb 10.25).
Que Deus nos encha de seu poder, a fim de que
vençamos essas e quaisquer outras perseguições que
surgirem contra a sua Igreja. Pois “em todas estas
coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos
amou” (Rm 8. 37).
Seu pastor e amigo,
J. Laurindo.