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EDITORIAIS

Gerando Novas Igrejas
29-Jul-2007

Uma das mais importantes tarefas de uma igreja é gerar filhas. Tal como a inclinação natural para que uma mulher casada tenha filhos, assim deve acontecer com a igreja. No Novo Testamento encontramos um detalhe interessante em relação às igrejas que iam surgindo no primeiro século da era cristã. Paulo, ao se dirigir a elas, o fazia no sentido de igrejas estabelecidas em um determinado local. Por exemplo, à igreja que está em Corinto, ou em Filipos, etc. Então, quando falamos de gerar novas igrejas é com o propósito de estabelecê-las em local bem definido. Para lembrar, podemos pensar tanto em igreja universal quanto local. Em termos terrenos o que existe são igrejas locais. A igreja universal é a reunião de todos os remidos. Ela compõe os que nos antecederam, os que estão vivos hoje e os que ainda serão acrescentados a ela amanhã.

Nossa preocupação aqui é falar da missão da igreja local, como a agência de Deus que deve ter a visão de gerar novas igrejas para a promoção e expansão do Seu Reino aqui na terra. Por falta dessa visão, muitas igrejas têm perdido tempo com outras preocupações e não têm feito o que realmente importa: gerar novas igrejas.

1. Por que gerar novas igrejas?

Porque é parte essencial da missão que Jesus deixou para nós. Ele declara: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). David Bosch, interpretando essa missão, diz: “Trata-se de uma missão de 'auto-esvaziamento, de serviço humilde' (Missão Transformadora. São Leopoldo, RS: Sinodal, 2002, p. 642). Assim entendemos. Quando nos esvaziamos de nós mesmos, para gerar uma nova igreja, estamos cumprindo o propósito e a missão de Jesus. Por isso, temos que sair de nossas quatro paredes e enxergar além de nossas organizações, departamentos, comissões. Temos que sair de nosso “gueto” eclesial e ir além. Para que isso aconteça, devemos colocar à disposição do Senhor nossos talentos, bens, ofertas, enfim, nossas próprias vidas.

2. Os recursos para gerar novas igrejas

Uma boa maneira de saber como está o funcionamento da igreja é ver quanto do seu orçamento é aplicado em evangelismo e missões. Quanto temos investido para gerar uma nova igreja? Quanto temos investido para a formação e o sustento de obreiros preparados para participar da geração de uma nova igreja? Devemos evitar o erro que muitas igrejas do passado cometeram, isto é: pensavam que, para gerar uma nova igreja, necessitariam de fazê-lo, aplicando todos os recursos, técnicas e métodos que possuíam. Ou seja, só consideravam ser uma nova igreja aquela que tivesse o mesmo material que a igreja mãe possuía. Na verdade, para gerar uma nova igreja, precisamos de pessoas submissas ao Espírito de Cristo, para fazer sua obra. Podemos começar uma nova igreja, sem templo, sem bancadas, sem datashow, sem órgão, piano ou qualquer instrumento, mas jamais poderemos fazê-lo sem a participação ativa de servos dedicados ao Senhor.

Algumas sugestões simples que, mais recentemente, têm aparecido, mostram-nos como colocar em prática o desafio de gerar novas igrejas. Otto Arango, ex-presidente da União Batista Latino-Americana e Presidente do Instituto de Plantação de Igrejas, indica que podemos começar uma nova igreja até com uma, duas ou três famílias da igreja-mãe, que sintam o chamado para esse fim (Enviados a Servir. Manual para a plantação e desenvolvimento de Igrejas, Assunção: 2004, p.5).

3. A motivação para gerar novas igrejas

Gerar novas igrejas motiva a igreja-mãe a crescer em quantidade e qualidade. Impressiona-me ver o quanto ainda estamos longe dessa realidade. Quantas igrejas temos organizado nesses anos de nossa existência? Fico imaginando se a cada ano tivéssemos gerado pelo menos uma, hoje seríamos 115 igrejas juntas, para glorificar Cristo. Se essas tivessem, em média, 100 membros cada, seríamos ao todo 115 mil membros. Se tivessem 200 membros cada, seríamos 230 mil. Se tivessem 300 membros cada, seríamos 345 mil membros ao todo... Por isso é que gerar filhas dá muito mais resultado do que tentar colocar todo mundo numa só igreja.

A igreja que gera filhas, sem dúvida, há de ser identificada como uma igreja que cresce.

Que nos coloquemos à disposição do Senhor, para gerar outras igrejas. Afinal, para isso o Mestre nos convoca. Atendamos, pois, o Seu chamado.

Para tanto, Ele nos abençoe.

Seu pastor e amigo,

J. Laurindo.

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