Como discipular um novo convertido no contexto onde vive? Como fazer com que ele
entenda e aplique à vida os ensinos das Escrituras? Como fazê-lo entender que o
Evangelho é relevante para os dias de hoje? Essas e outras questões levam-nos a
refletir no que consiste o discipulado contextualizado.
Em primeiro lugar, o discipulado contextualizado requer compartilhamento. Essa é uma
grande carência dos nossos dias. As pessoas andam com muita pressa. O tempo é
exíguo para resolver os problemas de trabalho, estudo, casa e outros. Que tempo
sobraria para compartilhar o Evangelho com outra pessoa? Em termos práticos, se o
crente mais experiente se dispuser a compartilhar sua vida cristã com um novo
convertido, esse terá a oportunidade de aprender a ler a Bíblia, orar, e seguir o exemplo
de alguém que tem um pouco mais de experiência.
É ter tempo para explicar o
Evangelho àquele que não compreende o que está lendo. É ter tempo para ensinar o
novo convertido a orar em nome de Jesus. É a oportunidade que se tem de mostrar ao
iniciante na fé a ética de Jesus. É quando se planta no coração do novo crente a
necessidade de uma constante busca de santificação, “sem a qual ninguém verá o
Senhor” (Hb 12.14).
Em segundo lugar, o discipulado contextualizado tem melhor aproveitamento, se feito
em pequenos grupos. Daí a importância das classes da Escola Bíblica Dominical. Nelas
se tem um local ideal para o aprendizado do estudo da Palavra. É provado que, quando
nos reunimos em pequenos grupos, tudo se torna mais fácil. O ambiente informal ajuda
aquele que não conhece a Igreja a se adaptar melhor a ela. Ajuda também o novo
crente a abrir o seu entendimento para receber os ensinos do Evangelho. Os pequenos
grupos se tornam um lugar favorável, onde crentes antigos e novos se encontram. É
onde novos relacionamentos são construídos. Assim acontecia na Igreja Primitiva (ver
Atos 2.42-47).
Em terceiro lugar, o discipulado contextualizado exige que os crentes maduros se
tornem mais abertos para receber os que estão chegando para a Igreja. Deve-se
mostrar ao novo crente que ele é importante para Deus.Afinal, uma alma vale mais que o
mundo inteiro. Quando recebemos bem um novo discípulo, estamos lhe
proporcionando a capacidade de se sentir parte integrante do corpo de Cristo.
Em quarto lugar, o discipulado contextualizado deve ter prioridade na agenda do cristão.
Essa é uma questão de visão. Se pedirmos que Deus abra a nossa visão para
alcançarmos os novos discípulos, Ele assim fará. Na verdade, na área do discipulado,
também os campos estão brancos para a ceifa. Há diversas pessoas que se
converteram e que nunca tiveram a chance de receber qualquer instrução na Palavra de
Deus. Precisam ser alcançadas com o ensino da Bíblia, antes que se tornem presas dos
ventos de doutrina que por aí estão. Eisso, com urgência.
Que Deus nos ajude, a fim de que possamos compartilhar com os novos convertidos o
que temos visto e ouvido. Eles são a geração de hoje, à qual devemos mostrar “os
louvores do SENHOR, assim como a sua força e as maravilhas que fez” (Sl 78.4a).
Para tanto, Ele nos abençoe.
Seu pastor e amigo,
J. Laurindo.