A igreja que faz missões

A igreja que faz missões

Timothy Keller, em seu livro Igreja Centrada, vê a Igreja que faz missões como uma “igreja missional”. Achei interessante essa classificação porque nos abre a compreensão do que realmente a Igreja faz. Diz Keller, “uma igreja pode pregar e ensinar de modo sólido as doutrinas evangélicas clássicas sem deixar de ser missional” (p. 321).

Então, podemos pregar a Palavra, ensinar as Escrituras Sagradas, praticar boas obras junto aos pobres e necessitados, conservar a sã doutrina e fazer missões. Esse é trabalho da Igreja como um todo e deve ser feito o mesmo tempo, sem deixar de ser uma igreja missional, pois a obra missionária, de acordo com Atos 1.8, deve ser feita a um só tempo: tanto em Jerusalém, quanto em Judeia e Samaria, e até os confins da terra. Qual a tarefa da igreja missional?

Keller apresenta quatro importantes tarefas que essa igreja precisa executar, das quais destacamos duas:

1) A tarefa de uma igreja missional é “confrontar os ídolos da sociedade”.

Um dos ídolos que se manifesta na sociedade, e que temos que confrontar, é o materialismo. Como é desafiador fazer missões numa sociedade dominada pelo materialismo! Por exemplo, é muito mais difícil fazer missões onde o materialismo é um deus para as pessoas do que numa sociedade não dominada pelo amor ao dinheiro, aos bens materiais, ou ao consumismo. Como confrontar esse ídolo? É só através de uma igreja que tem coragem de declarar que “somos peregrinos aqui”, como mostra J. Stott (O discípulo radical, p, 20). É verdade, não levaremos dinheiro, bens materiais, ou qualquer ingrediente do materialismo para o túmulo. Será que estamos dispostos a confrontar o materialismo e ser uma igreja missional?

2) A tarefa de uma igreja missional é confirmar “que todos os cristãos são missionários em todas as áreas da vida” (p. 322).

O mais importante aqui, diz Keller, é: “vencer o clericalismo e a passividade leiga da cristandade e, assim, recuperar a doutrina reformada “do sacerdócio de todos os crentes” (Ibid). O sacerdócio de todos os crentes não é uma doutrina que se limitou ao tempo da Reforma Religiosa, ela chegou até nós. Ao fazer missões devemos lembrar que não podemos limitar esse ministério a apenas uma categoria de crentes. Todos somos missionários, todos recebemos a ordem de Jesus Cristo de ir e pregar o Evangelho a todo o mundo, a toda a criatura (ver Marcos 16.15).

Que o Senhor nos ajude a fim de que sejamos uma “igreja missional”, uma igreja que esteja disposta a enfrentar o materialismo ou qualquer outro ídolo da sociedade e fazer isso com a participação de todos os crentes! Você vai ficar de fora?

Do seu pastor e amigo,

J. Laurindo.