502 anos de Reforma Protestante

502 anos de Reforma Protestante

Quando a Reforma Protestante completou 500 anos, escrevi um pequeno editorial mostrando que os batistas são gratos aos reformadores pelo legado de fé que deixaram, mas que, historicamente, não se pode afirmar que viemos da Reforma. As chamadas igrejas protestantes sim, essas têm sua gênesis na Reforma Protestante do início do século XVI. O que se ensinava na Igreja, antes desse período, foi seriamente questionado e rejeitado pelos Reformadores. Eles trouxeram uma nova proposta que veio balançar as estruturas da Igreja Católica, num momento marcado:

a) por uma religiosidade obscura e cara para o povo de um modo geral, exigindo do fiel a paga pelo perdão dos pecados;

b) por uma religiosidade que não permitia ao fiel ter acesso direto às Escrituras Sagradas;

c) por uma religiosidade que impunha ao fiel a prática das boas obras como prerrequisito para a salvação;

d) dentre outros. Damos graças a Deus pelo esforço de Martinho Lutero, Zuínglio, João Calvino, e outros que lutaram contra essas doutrinas ensinadas pela Igreja da época.

Somos gratos, principalmente, pelos princípios defendidos por eles: Sola Fide, Sola Scriptura, Sola gratia, Solo Christo Solo Deo gloria e, que já existiam muito antes do surgimento da Reforma. Na verdade, são princípios que nos foram deixados pelas Escrituras Sagradas. Não os herdamos da Reforma.

Quanto à teologia da Reforma Protestante, concordamos com o então Pastor e Professor João Filson Soren ao declarar: “Ninguém afirmaria com conhecimento de causa que a teologia de João Calvino, de Martinho Lutero, de Armínio, de Zuínglio, Socinto, ou de qualquer outro teólogo da Reforma, seja a teologia dos Batistas”. Os batistas também rejeitam o chamado pedobatismo (batismo de crianças) praticado pelos Reformadores Protestantes. Entendemos que uma criança não tem como decidir por si mesma sobre tão importante passo de fé. Se morrerem, enquanto pequenas, não irão para a perdição e sim para o Céu.

Vale observar, que os Anabatistas e os Menonitas foram rudemente perseguidos pelos Reformadores Protestantes por praticarem o batismo bíblico (Fonte: do Revista Teológica Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, “Os Batistas São Protestantes?” [Ano I (Nova Fase) Dezembro de 1985, nº 2, p. 39-43]).

Os Reformadores Protestantes continuaram crendo que Batismo e Ceia são sacramentos. Esse posicionamento foi rejeitado pelos Batistas. Para esses, o Batismo e a Ceia são ordenanças deixadas por Jesus para a Sua igreja. Outro ponto que mostra a não ligação dos batistas com a Reforma Protestante é quanto a existência de um clero específico dentro da Igreja.

Para os batistas, o ensino bíblico do sacerdócio universal dos crentes é que deve reger os relacionamentos entre os irmãos dentro da igreja. Nesses 502 anos da Reforma Protestante, mesmo não sendo igrejas oriundas desse tão importante movimento religioso, agradecemos a Deus pela vida e trabalho de Martinho Lutero, Calvino, Zuínglio e outros que lutaram pela salvação que nos é dada somente por Cristo Jesus.

Para tanto, que o Senhor nos abençoe.

Seu pastor e amigo,

J. Laurindo